Todo dia começamos do zero... uma página em branco... uma nova etapa... os momentos vão se transformando em frases... mais uma página da minha vida... completando meu livro... Páginas com margens gastas... Algumas rasuras... aquelas que eu faço para melhorarem um pouco a minha escrita... a minha história... Vocês me ajudam... Na maioria das vezes prefiro usar lápis... é difícil usar a caneta... Meus textos não contêm pontuação... no máximo reticências... Eu não sei quando pausar e não consigo parar... A hora de começar é AGORA...
Bruna Xavier e Amanda Mendonça.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Sons e vozes
Cadê o calor humano?
Por que é tão difícil se aproximar de gente?
Não somos da mesma espécie?
Um simples “bom dia” causa inquietação, cheias de por que.
Passo horas do meu dia, dias da minha vida, escutando barulhos.
Os carros, os ventiladores, celulares, sons, televisões, e muitos outros.
Esses não se calam. Amedrontam-me e me impedem de ouvir vozes, as mais importantes, aquelas que eu gostaria que soassem como música aos meus ouvidos.
Por que é tão difícil se aproximar de gente?
Não somos da mesma espécie?
Um simples “bom dia” causa inquietação, cheias de por que.
Passo horas do meu dia, dias da minha vida, escutando barulhos.
Os carros, os ventiladores, celulares, sons, televisões, e muitos outros.
Esses não se calam. Amedrontam-me e me impedem de ouvir vozes, as mais importantes, aquelas que eu gostaria que soassem como música aos meus ouvidos.
Esvaziando
Passos largos, dados sob possas. Pingos. Ondas. Inundam-me. Enfim Rendo-me.
Os pensamentos acompanham o percurso da água que desce, gira e sobe.
Lento. Ao Relento. Percorrendo em mim. Deixar levar, o que já estava transbordando.
Agora esvaziando. Estou ganhando espaço. Só para encher novamente. Encher-me de novas perguntas, Amores, Pessoas... Sim, as pessoas. São tantas. Encher, guardar e esvaziar, mais um ciclo. Metade de mim permanece intacta. Essas batidas marcam com precisão, dificultando o “esvaziar”.Foi.Passou.A água levou.
Os pensamentos acompanham o percurso da água que desce, gira e sobe.
Lento. Ao Relento. Percorrendo em mim. Deixar levar, o que já estava transbordando.
Agora esvaziando. Estou ganhando espaço. Só para encher novamente. Encher-me de novas perguntas, Amores, Pessoas... Sim, as pessoas. São tantas. Encher, guardar e esvaziar, mais um ciclo. Metade de mim permanece intacta. Essas batidas marcam com precisão, dificultando o “esvaziar”.Foi.Passou.A água levou.
Espaços vazios
É possível calar!
Quando as palavras não vêm, para que procurar desesperadamente?
O silêncio pode dizer mais do que frases. O olhar pode comunicar com mais veracidade. Por que essa incontrolável vontade de preencher supostos
“espaços vazios”?
Sim, geralmente o silêncio constrange, incomoda. Mas eu ainda prefiro o olhar, o gesto.
Realmente é difícil aceitar uma invasão. Estar aberta para visitantes. Mas com o tempo aprende a ter confiança, e começa a acreditar nos “espaços vazios”.
Quando as palavras não vêm, para que procurar desesperadamente?
O silêncio pode dizer mais do que frases. O olhar pode comunicar com mais veracidade. Por que essa incontrolável vontade de preencher supostos
“espaços vazios”?
Sim, geralmente o silêncio constrange, incomoda. Mas eu ainda prefiro o olhar, o gesto.
Realmente é difícil aceitar uma invasão. Estar aberta para visitantes. Mas com o tempo aprende a ter confiança, e começa a acreditar nos “espaços vazios”.
O melhor, enquanto dure.
Seus gestos me paralisam.
Tenho medo de mexer e você se esvai rir, como areia entre os dedos.
Jogo a ancora, sem pretensão alguma de partir. Sinto-me confortável.
O seu perfume esta em meus braços, em cada fio do meu cabelo.
Isso é tão bom que eu não consigo para de sentir. E mesmo que seja passageiro, estou feliz por poder passar por esses momentos, que fazem eu me sentir, tão leve, tão bem. Estou simplesmente vivendo o presente agora. Que seja o melhor, enquanto dure.
Tenho medo de mexer e você se esvai rir, como areia entre os dedos.
Jogo a ancora, sem pretensão alguma de partir. Sinto-me confortável.
O seu perfume esta em meus braços, em cada fio do meu cabelo.
Isso é tão bom que eu não consigo para de sentir. E mesmo que seja passageiro, estou feliz por poder passar por esses momentos, que fazem eu me sentir, tão leve, tão bem. Estou simplesmente vivendo o presente agora. Que seja o melhor, enquanto dure.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Bruna Xavier e Amanda Mendonça.
B: Posso invadir sua mente?
A: Talvez...
B: Da maneira mais inesperada?
A: Pra que ?
B: Quero descobrir o que as palavras não conseguem me dizer...
A: As minhas palavras não são suficientes?
B: Eu quero mais do que palavras... Eu preciso escutar o seu inconsciente.
A: Eu não quero te deixar ir tão além...
B: Você acha perigoso?
A: Eu acho inseguro, e eu tenho medo da insegurança...
B: Eu consegui, acabei de invadir sua mente, e achei seu medo.
A: Ele esteve oculto por muito tempo... Agora é minha vez, quero saber o que se passa no seu oculto.
B: Tenho que ir.
A: Talvez...
B: Da maneira mais inesperada?
A: Pra que ?
B: Quero descobrir o que as palavras não conseguem me dizer...
A: As minhas palavras não são suficientes?
B: Eu quero mais do que palavras... Eu preciso escutar o seu inconsciente.
A: Eu não quero te deixar ir tão além...
B: Você acha perigoso?
A: Eu acho inseguro, e eu tenho medo da insegurança...
B: Eu consegui, acabei de invadir sua mente, e achei seu medo.
A: Ele esteve oculto por muito tempo... Agora é minha vez, quero saber o que se passa no seu oculto.
B: Tenho que ir.
Bruna Xavier e Amanda mendonça.
Não queria que os meus dias fossem uma rotina. Não queria ver as mesmas pessoas todos os dias, nem comer a mesma comida, nem acordar e dormir nas mesmas horas.
Queria jogar fora as coisas e as pessoas fúteis e poder viver sem a presença delas. Ter a liberdade de um dia jogar tudo pro alto com a certeza de que não iriam cair novamente sobre mim. Tenho vontade de fazer coisas simples, coisas erradas, aos olhos de quem me cerca. Coisas diferentes que não estão na moda, parar de ser escravizada por ela, pelas ‘boas maneiras’, pela autoridade, e principalmente por tantas regras. Eu queria um tempo mais dilatado, sem pensamentos sórdidos, ou até mesmo sem pensamentos, por que não simplesmente sentir. Em um dia de chuvas tirar o salto e sem descer deles me atirar numa poça, se é que você me entende! Em um dia ensolarado mudar meu rumo, acordar cedo sim, pegar meu carro, mas ao invés de ir para o trabalho dirigir diretamente para uma cachoeira, uma companhia seria bom, mas se fosse boa! Mas que não me fizesse lembrar da minha rotina, ‘A’ pessoa, entende? Eu sei exatamente qual. Só não tive coragem ainda de me deixar levar, de ser carregada, de deixar ser vendada. Por isso eu ainda prefiro fugir da minha rotina.
Queria jogar fora as coisas e as pessoas fúteis e poder viver sem a presença delas. Ter a liberdade de um dia jogar tudo pro alto com a certeza de que não iriam cair novamente sobre mim. Tenho vontade de fazer coisas simples, coisas erradas, aos olhos de quem me cerca. Coisas diferentes que não estão na moda, parar de ser escravizada por ela, pelas ‘boas maneiras’, pela autoridade, e principalmente por tantas regras. Eu queria um tempo mais dilatado, sem pensamentos sórdidos, ou até mesmo sem pensamentos, por que não simplesmente sentir. Em um dia de chuvas tirar o salto e sem descer deles me atirar numa poça, se é que você me entende! Em um dia ensolarado mudar meu rumo, acordar cedo sim, pegar meu carro, mas ao invés de ir para o trabalho dirigir diretamente para uma cachoeira, uma companhia seria bom, mas se fosse boa! Mas que não me fizesse lembrar da minha rotina, ‘A’ pessoa, entende? Eu sei exatamente qual. Só não tive coragem ainda de me deixar levar, de ser carregada, de deixar ser vendada. Por isso eu ainda prefiro fugir da minha rotina.
Bruna Xavier e Amanda mendonça.
*Seu primeiro dia aqui?
- Você nunca me viu?
*Por que veio pra cá?
- Você os viu me trazendo?
*Eram sua família?
- Eles parecem comigo?
*Não gosta deles?
-Não te deram medo?
*Vai ficar muito tempo?
- Você quer que eu fique?
*Eu posso escolher?
-Se pudesse, diria que sim?
*Se eu dissesse que não, te magoaria?
-Eu te incomodo?
*Você me fez alguma coisa?
-Nós nos conhecemos?
*É o seu primeiro dia aqui?
-Você nunca me viu? ...
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Hilda Hilst (1930-2004)
Nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930.Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária.
Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.
Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.
Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Em 1999, sob coordenação do escritor Yuri Vieira dos Santos, é lançado seu primeiro site na Internet.
Hilda Hilst faleceu em Campinas-SP, no dia 4 de Fevereiro de 2004.
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