...Por fim, me perdi de você. Impulsivamente virei as costas e quando dei por mim, nem tua sombra estava ao meu lado. O vão entre nós já era grande o bastante para me fazer perder o chão. Cada passo meu, na tentativa de reparar tal atitude brusca e impensada, te afastava meio metro. O problema é esse orgulho besta que me tira a razão. Eu só espero ter a habilidade, hora ou outra, de te devolver pra mim.
- Bruna Xavier.
sábado, 21 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
resposta.
Sabe, eu tenho recebido seus recados e desaguado por cima de cada um deles. Eu sei que minhas lágrimas não justificam a ausência das palavras, mas o que eu posso fazer se meu coração esta incomunicável, minha mente não produz nada coerente, e por consequência apertaram em mim o botão de “mute”. Imagino que a partir de agora tudo que eu disser, será mais um argumento usado contra a minha própria pessoa, porem decidida a te tocar, resolvi pagar o preço… Colocar minha cara a tapa e assumir meus erros, aniquilando assim meu puro orgulho. Se tivesse a habilidade de guardar na memoria palavras antigas, faria um roteiro com textos por vezes pronunciados e te enviaria, mas como já nem sei ao certo o que há de memoria em mim, tenho procurado novas junções de letras, creio que seria de bom tom me resumir com um “eu te amo”.
— Bruna Xavier
sexta-feira, 13 de julho de 2012
30 de Junho de 2012.
Podia-se dizer que eu estava ali. Meu corpo se fazia presente na mesa, assim como minha boca, apesar de na maior parte do tempo manter-se calada. A parte notoriamente ausente de mim eram os olhos, que percorriam o salão a sua procura. Ao longo da festa conseguia entender algumas partes das conversas, das especulações, mas nada disso me interessava. Além dessa procura incessante e quase discreta, o que eu conseguia era sutilmente gesticular com a cabeça, uma forma de demonstrar meu entendimento sobre o assunto. Escutava vozes distantes chamando meu nome, mas pouco me importava o que queriam com a minha pessoa. Meus olhos escorregaram algumas vezes para a porta, na expectativa de você entrar com um sorriso largo. Dei algumas risadas de besteiras que acabei por ouvir. Procurei, procurei e procurei… Enfim, achei uns quatro, mas não era você. A noite era boa, convidativa, tive em mim a esperança de desfrutar dessas horas com você. Desde que entrei na tal festa, comecei a fazer minhas conferencias. Conferia o que o relógio marcava. Conferia a porta, Conferia a mesa de jantar, Conferia a mesa de bebidas, as risadas… Conferia. Os parabéns… Conferiam. O bolo… Conferia. O fim da noite chegou e na festa só você não conferia. Quase tudo estava ali, só era vago pela sua ausência.
— Bruna Xavier
Ele
- Não quero, não deixo! Se eu quis viver aqui, se fiz esses muros; se juntei dinheiro, muito; se ninguém entra na minha casa é pra te proteger do desejo de outros homens. Se eu mandei abrir janelas muito altas, muito, foi para isso, para que você esquecesse, para que tuas lembranças de outros rostos se apagassem, para que sua memória morresse em você pra sempre. Virgínia olha para mim, assim! Eu fiz tudo isso para que só existisse eu. Eu to fugindo das tuas vontades, dos teus desejos, das tuas procuras por outro. Compreende agora?
Ela
Me tira daqui, me tira, pelo amor de Deus, me tira daqui! Eu não aguento mais! Eu não suporto sentir você impregnado em mim.Eu não gosto do seu cheiro, o seu jeito me apavora e sua respiração me sufoca. TEUS FILHOS NÃO SÃO MEUS! Penso que se um deles fosse diferente… O amaria não com amor de mãe, mas de mulher. Mãe, palavra que eu não entendo e que por três vezes me atormentou. A minha vontade era estar ali, como num mausoléu, mas viva! Imagino que morta seria pior… Ser obrigada a ter filhos sem direito a um grito sequer. Hoje mais um morreu, quantos mais terão de morrer? Por que queres tanto um filho preto?. Não, não, mentira, eu menti, menti, eu te amo. São essas janelas e e essas portas fechadas que me confundem. Já nem sei o que digo.Me leva? Me leva para um passeio, um passeio no jardim e basta. Preciso ao menos ver estrelas!
— Bruna Xavier
terça-feira, 3 de julho de 2012
-E quantas vezes eu ia bater na porta, sem forças, voltei…E quantas vezes eu ia cheia de impulso correr na sua direção e minhas pernas paralisaram. Quantas vezes a minha vontade era gritar o seu nome e o máximo que eu consegui foi suspirar.Quantas vezes eu queria te abraçar e dizer: “Não vai”, acabei trocando por um aceno de adeus.Quantas vezes eu pensei em você e rezei pra te esquecer. Quantas vezes eu sorri querendo desabar em lágrimas. Quantas vezes eu vou ter que me conter? Quantas vezes mais eu terei que fingir?
Chega, Eu te quero aqui!
— Bruna Xavier
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