sexta-feira, 15 de junho de 2012

A casa.

A  casa era antiga, de uma madeira rústica que fazia referência aos moradores, uma senhora e um senhor com idades e gostos um tanto quanto apurados. Ali o tempo passava suave, as pisadas na madrugada eram macias e as risadas... Eram de se deliciar. Naquele espaço não cabiam a hipocrisia nem o constrangimento, pois se nada tinham a dizer se calavam. Se algo os incomodava, bastava uma careta. E as caretas eram tão ridiculamente agressivas que de imediato se caia na risada outra vez. É que nessa casa não existia a busca incessante pela solução de problemas que nem ao menos existiam. A vida era leve. Sabia-se plantar na horta, sabia-se cozinhar, sabia-se tomar vinho, sabia-se construir mais casas daquelas, só não sabiam cantar. Pois bem, tinham aulas matinais com pássaros. Professores naturais, na mais pura essência.  E se não cantavam, assobiavam. A casa era num canto qualquer desse mundão.  Mas a solidão só existia se fosse a dois, pois nem assim se largavam. Infelizmente hoje, anos depois, nem mesmo a casa ficou. A madeira antiga ainda deve existir, mas a essência dessa casa ficou nos corações desse casal de alma pura.



                      

Nenhum comentário:

Postar um comentário