A senhora de olhar distante se
acostava na porteira com a esperança de que um dia pudesse vê-lo outra vez,
como quando no riacho, sob a luz da lua, dois amantes encostados num pé de
jabuticaba se amaram a noite toda. Sem precisar contar ate três, as lembranças eram lançadas na
sua frente, como cenas de uma estória de época ou um trecho bonito de um livro.
Mas não, não pode ela sofrer
outra vez, já que deste seu amante não ouvira cantar, nem mesmo nos sonhos ele
pode voltar. Quisera ela poder lhe dizer que tudo o que sentia era apenas prazer.
Quisera ele poder olhar firmemente naqueles olhos pretos como a noite que os
uniu e soprar palavras jamais mencionadas. Ou quem sabe, apenas acalentar esse
coração pulsante... Francamente sua vontade era naufragar nesse sorriso
aparentemente tímido. Com isso se foi se foi e está
indo... A chuva veio e parou. A lembrança contínua está lá, rodeando-a como
colcheias barrocas. Sempre reconfortante de que tudo fora mencionado em teus
pensamentos e que cada detalhe ia lhe satisfazendo; até o sinal chiado do
radio... (xiiuu.. xiiuuu... xiiuuu...) lhe trazer por fim a escassez ultimo punhado de esperança.
Pois apesar da dificuldade de compreensão a noticia era clara... Em tempos de
guerra, os mais bravos homens partiram e seu amante se eternizaria apenas em
ventos que trouxessem seu cheiro, em folhas que lembrassem sua pisada e em
tempos que levassem a dor do adeus sem despedida.
Bruna Xavier e Larisse Teixeira.

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