Ele
- Não quero, não deixo! Se eu quis viver aqui, se fiz esses muros; se juntei dinheiro, muito; se ninguém entra na minha casa é pra te proteger do desejo de outros homens. Se eu mandei abrir janelas muito altas, muito, foi para isso, para que você esquecesse, para que tuas lembranças de outros rostos se apagassem, para que sua memória morresse em você pra sempre. Virgínia olha para mim, assim! Eu fiz tudo isso para que só existisse eu. Eu to fugindo das tuas vontades, dos teus desejos, das tuas procuras por outro. Compreende agora?
Ela
Me tira daqui, me tira, pelo amor de Deus, me tira daqui! Eu não aguento mais! Eu não suporto sentir você impregnado em mim.Eu não gosto do seu cheiro, o seu jeito me apavora e sua respiração me sufoca. TEUS FILHOS NÃO SÃO MEUS! Penso que se um deles fosse diferente… O amaria não com amor de mãe, mas de mulher. Mãe, palavra que eu não entendo e que por três vezes me atormentou. A minha vontade era estar ali, como num mausoléu, mas viva! Imagino que morta seria pior… Ser obrigada a ter filhos sem direito a um grito sequer. Hoje mais um morreu, quantos mais terão de morrer? Por que queres tanto um filho preto?. Não, não, mentira, eu menti, menti, eu te amo. São essas janelas e e essas portas fechadas que me confundem. Já nem sei o que digo.Me leva? Me leva para um passeio, um passeio no jardim e basta. Preciso ao menos ver estrelas!
— Bruna Xavier
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