Podia-se dizer que eu estava ali. Meu corpo se fazia presente na mesa, assim como minha boca, apesar de na maior parte do tempo manter-se calada. A parte notoriamente ausente de mim eram os olhos, que percorriam o salão a sua procura. Ao longo da festa conseguia entender algumas partes das conversas, das especulações, mas nada disso me interessava. Além dessa procura incessante e quase discreta, o que eu conseguia era sutilmente gesticular com a cabeça, uma forma de demonstrar meu entendimento sobre o assunto. Escutava vozes distantes chamando meu nome, mas pouco me importava o que queriam com a minha pessoa. Meus olhos escorregaram algumas vezes para a porta, na expectativa de você entrar com um sorriso largo. Dei algumas risadas de besteiras que acabei por ouvir. Procurei, procurei e procurei… Enfim, achei uns quatro, mas não era você. A noite era boa, convidativa, tive em mim a esperança de desfrutar dessas horas com você. Desde que entrei na tal festa, comecei a fazer minhas conferencias. Conferia o que o relógio marcava. Conferia a porta, Conferia a mesa de jantar, Conferia a mesa de bebidas, as risadas… Conferia. Os parabéns… Conferiam. O bolo… Conferia. O fim da noite chegou e na festa só você não conferia. Quase tudo estava ali, só era vago pela sua ausência.
— Bruna Xavier
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